14/06/2017 16:54:24 - Atualizado  em 14/06/2017 16:59:23

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Safra de grãos deve ser recorde em Minas Gerais

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Uma das culturas que vem apresentando crescimento no Estado é o sorgo

Estimativa é de produção de 14,37 milhões de toneladas, o que significará incremento de 21,7%. Além da soja, o grande destaque será o milho, cuja produção deve chegar a 7,79 milhões de toneladas, com avanço de 31,6%.

Por mais um ano, Minas Gerais colherá uma safra de grãos recorde. De acordo com os dados do 9º Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, elaborado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Estado será responsável pela produção de 14,37 milhões de toneladas de grãos, incremento de 21,7% frente à safra anterior. Com o clima favorável, a produção de grãos foi alavancada e as safras de milho e de soja serão recordes.

Na atual temporada, a área de plantio no Estado foi estimada em 3,4 milhões de hectares, aumento de 3,1%. O clima mais adequado para o desenvolvimento da safra favoreceu a produtividade, que ficou 18,1% maior e alcançou rendimento médio por hectare de 4,2 toneladas.

“O clima foi muito favorável para o desenvolvimento da safra. Por mais um ano, vamos registrar uma colheita recorde”, destacou o analista de agronegócios da FAEMG, Caio Coimbra.

Na safra 2016/17, a produção total de milho será de 7,79 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 31,6% frente à produção anterior. O incremento se deve a alguns fatores importantes, como os preços remunerativos pagos pelo cereal em 2016 - o que estimulou o avanço do cereal sobre a produção de soja - ao maior uso de tecnologias e ao clima mais favorável, o que elevou a produtividade.

“O crescimento da produção de milho ocorreu também em função da escassez do produto no mercado em 2016, o que elevou os preços e despertou maior interesse do produtor. Minas Gerais é um importante produtor do cereal e tem um mercado amplo, já que somos os maiores produtores de leite, possuímos o segundo maior rebanho de bovinos e a avicultura e a suinocultura são expressivas”.

A primeira safra do cereal ficou 13,5% maior, com a colheita de 5,79 milhões de toneladas. No período, o espaço dedicado à cultura cresceu 8,6%, alcançando 909,4 mil hectares. A produtividade foi estimada em 6,3 toneladas por hectare, aumento de 4,5%.

Já na segundo safra, a expansão será de 145,6%, com a colheita de 1,99 milhão de toneladas. O incremento significativo se deve à recuperação da produtividade, que em igual período do ano anterior foi gravemente afetada pela estiagem. Na atual temporada, o rendimento médio esperado é de 5,2 toneladas por hectare, aumento de 140%. A área de cultivo apresentou expansão de 2,2% com o uso de 379,2 mil hectares.

“O volume de milho a ser colhido na segunda safra está muito próximo à estimativa de produção que foi feita para igual safra do ano passado. Vale lembrar que, em abril de 2016, tivemos um veranico e frustração da safra. Desta forma, o incremento significativo da produtividade mostra uma recuperação em função do clima, que até o momento está adequado para a boa produção”.

Soja - Outro destaque é a produção de soja. Minas Gerais colheu o volume recorde de 5 milhões de toneladas, aumento de 6,7% sobre a safra anterior. A produtividade maior, estimulada pelos pacotes tecnológicos aplicados e o clima, justificam o aumento, uma vez que área de plantio recuou 0,9% e encerrou o período em 1,45 milhão de hectares. O rendimento por hectare cresceu 7,6% somando 3,46 toneladas por hectare.

“A tendência é que a produção de soja mantenha o crescimento no médio e longo prazos. A demanda da China segue aquecida. Nós temos um segundo mercado em expansão, que é a Índia. É um mercado bom para a produção de soja. Minas Gerais vem apresentando crescimentos importantes em produtividade e em produção. Em produtividade somos o terceiro maior estado, atrás somente da Santa Catarina e Paraná. Já superamos o rendimento de importantes estados produtores, como o Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso”, disse Coimbra.

ÁREA DO FEIJÃO PODE CRESCER 4,2% NO ESTADO

Segundo maior produtor de feijão, atrás somente do Paraná, Minas Gerais deve colher 546,7 mil toneladas do produto na safra 2016/17. A área em produção está 4,2% superior, somando 348,5 mil hectares. A produtividade da cultura foi estimada em 1,56 tonelada por hectare, variação positiva de apenas 0,9%.

Na primeira safra do feijão, foram colhidas 195,2 mil toneladas, aumento de 2%. Já na segunda, a produção alcançou 166,9 mil toneladas, incremento de 11% devido ao ganho em produtividade, que na safra passada foi prejudicada pelo clima. Na terceira safra, a previsão é colher 184,6 mil toneladas, o que, se alcançado, representará um aumento de 3,5%.

De acordo com o analista de agronegócios da FAEMG, Caio Coimbra, o ritmo de crescimento da produção de feijão é menor que a verificada no milho e na soja por algumas peculiaridades da cultura.

“O feijão carioquinha, tipo que mais plantamos, é consumido apenas no Brasil, o que impede a exportação. Além disso, a cultura sofre com o ataque de mosca branca, que tem controle difícil e oneroso. Outro fator é que o produto não pode ficar longos períodos armazenados, já que perde a qualidade. Estes fatores fazem com que o produtor opte por outros grãos, como o milho e a soja”, disse Caio.

SORGO
Uma das culturas que vem apresentando crescimento no Estado é o sorgo. O grão, que é mais resistente à estiagem, vem se tornando uma boa opção para o cultivo da segunda safra em regiões mais secas, como o Norte de Minas. Na safra 2016/17, a expectativa é colher 675,8 mil toneladas de sorgo, aumento de 94%. O incremento expressivo se deve à recuperação da produtividade, que no ano passado ficou muito baixa em função da escassez severa de água. A produtividade cresceu 72,4%, com rendimento médio estimado em 3,48 toneladas por hectare. A área plantada no Estado, 194 mil hectares, está 12,5% maior.

“Por ser mais resistente à escassez hídrica, o sorgo é uma boa opção para a segunda safra. Neste ano, o produto ganhou espaço sobre o milho segunda safra. Além de mais resistente, o sorgo é utilizado na alimentação do rebanho, suprindo em cerca de 90% a necessidade nutricional quando comparado com o milho”.


Fonte Portal do Agronegócio