11/06/2017 18:42:03 - Atualizado em 11/06/2017 18:43:13


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O Desejo

Recuperado da obra de freudiana, o conceito de desejo obteve em Lacan um destaque especial. Lacan realçou a experiência do desejo com a mais “nobre” no sujeito falante.

Diz Lacan no seminário 2 “A experiência freudiana começa por estabelecer um mundo do desejo (...). O desejo é instituído no interior do mundo freudiano, onde nova experiência se desenrola, ele o constitui, e isto não pode ser apagado em instante algum do mais mínimo manejo de nossa experiência. O mundo freudiano não é um mundo das coisas, ou do ser, é um mundo do desejo como tal”

Daí, parte para a definição do que é isso, do que significa o desejo. “O desejo é uma relação do ser com a falta. Esta falta é falta de ser, propriamente falando. Não é falta disto ou daquilo, porém falta de ser através do que o ser existe”. E prossegue: “o desejo, função em toda experiência humana, é desejo de nada que possa ser nomeado, e, ao mesmo tempo, é este desejo que se acha na origem de qualquer espécie de animação”. Essa é uma das complicações desse conceito; já que ele não pode ser nomeado, mesmo não sendo articulável ele não deixa de estar articulado ao discurso do sujeito.

Ainda nesse seminário, Lacan nos indica qual seria a função da análise em relação ao desejo: “Trata-se (...) de ensinar o sujeito a nomear, a articular, a fazer passar para a existência, este desejo que está, literalmente, para aquém da existência, e por isso insiste. Se o desejo não ousa dizer seu nome, é porque, este nome, o sujeito ainda não o faz surgir”.
“Que o sujeito chegue a reconhecer e a nomear seu desejo, eis aí a ação eficaz da análise. Mas não se trata de reconhecer algo que estaria aí, já dado, pronto para ser captado. Ao nomeá-lo o sujeito cria, faz surgir uma nova presença no mundo. Ele introduz a presença como tale, da mesma feita, cava a ausência como tal.

O sujeito desejante usa em suas mãos o desejo para então buscar as vias de sua realização, que nunca se esgota e nunca se satisfaz. Ao alcançar um ponto onde o sujeito supunha desejar alcança-la, novo desejo se abre assim infinitamente, já que isso é da própria estrutura do desejo.

                                                                  Luiz Roberto Duncan
                                                                             Psicanalista


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