21/05/2017 12:10:51 - Atualizado em 21/05/2017 12:12:18


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O Imaginário

Como o próprio nome indica, constitui-se através da imagem, o momento preciso que isso ocorre Lacan denominou de Estádio do Espelho. Esse instante se dá ainda na primeira infância, quando a pequena criança ao olhar-se no espelho transmite uma sensação de júbilo, de alegria perante a imagem integrada que vê, se antes se via por partes agora se vê por inteiro. Sou Eu.
O herdeiro desse momento o Eu, irá se opor ao sujeito do inconsciente, por isso as principais características desse Eu são as ilusões e as aparências.

A queda do desmembramento contrastada com a imagem ilusoriamente perfeita. Esse modelo – da insuficiência à antecipação – funcionará como matriz da estrutura, dando ao sujeito seu tempo do verbo futuro anterior. Exemplo da jovem que em seu relato conta que quando alguém a convida para dançar ela rapidamente avalia se ele será um bom marido, bom pai para seus filhos e só depois aceita ou não o convite. A imagem acabada, anima a jovem a percorrer esse caminho.

Esse tipo de relação caracteriza-se por ser dual; tanto a sedução quanto a agressividade comportam-se ora como atrativo ora como repúdio ao semelhante, sem a interferência da palavra, situações tipo “ou eu ou ele” apontam para o predomínio do imaginário.
O predomínio do imaginário sobre o real e o simbólico, que constituem a tridimensionalidade da experiência humana, coloca o sujeito no lugar dos efeitos, das consequências. Se real e simbólico são da ordem da causa, causa do sujeito e do desejo, o imaginário é o lugar dos impasses, dos enganos, onde habitam os sentimentos da inveja, ciúmes, competição, paixão, enfim, todo campo sentimental dramático.

Nesse sentido, o Eu, por estar mais identificado com os ideais, é um grande inimigo do sujeito do inconsciente, ele se caracteriza pela negação do desejo, através de uma formação de compromisso.

 Do mesmo modo que Copérnico introduziu a noção de que a Terra não era o centro do universo, e sim, o Sol, ou seja, retirou a Terra desse lugar de centro, igualmente, com Freud, houve o descentramento da noção de eu: a descoberta freudiana mostra que o inconsciente “escapa totalmente a este círculo de certezas no qual o homem se reconhece como um eu”. Freud nos diz que aquilo que é da ordem do eu é também da ordem da consciência. O sujeito do inconsciente é o sujeito por excelência, e se distingue do eu, função imaginária, que pode ser consciente. A consciência nos ilude, a despeito de esta consciência perceber a si mesma, de modo transparente, e, numa contemplação imediata, colocar o ser numa experiência traumática.

                                                            Luiz Roberto Duncan - psicanalista