04/06/2017 11:55:54 - Atualizado em 04/06/2017 11:57:11


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A Histeria

A histeria, até o final do século XIX era visualizada, pela medicina, como uma patologia pessoalmente imaginária, à qual não se conseguia associar nenhuma disfunção orgânica. Desta forma, a histeria era considerada uma manifestação da ordem do ilusório, do fingimento, da inquietação.

 Freud, ao adotar o tratamento da histeria, percebe não apenas as interferências do psíquico sobre o somático, mas que estas interferências são recíprocas. O que Freud pôde distinguir é que na histeria o corpo orgânico em sua aplicabilidade é subvertido. Não se trata de um abandono da consideração do corpo, mas da postulação de um novo estatuto para o corpo, que deixa de circunscreve-lo à sua condição somática.Assim, o corpo é visto em uma realidadede excitabilidadeque requer uma deliberação, e a incidência do psiquismo viria a ser uma resposta a essa aflição. 

O discurso histérico é o discurso de todo ser falante, necessário para sua entrada em análise. O dominante nesse discurso é o sintoma, é disso, e sobre isso, que a histérica fala (no feminino pela sua maior incidência nas mulheres). Muitos homens para se analisar também se veem forçados a passar pelo discurso da histeria. Histericizar-se é colocar-se em posição de falar e essa é a regra do jogo da análise.

A histeria é a neurose feminina por excelência. A mulher histérica inventa um homem para si mesma, fabrica-o e uma das características é de ser entusiasmada pelo desejo de saber. Daí a busca de um mestre, mas ela o procura para denunciar sua castração: “você também é castrado!” diria ela.

A histérica rejeita ser o objeto para ser desejada, frases como “você só quer meu corpo” “se não fosse bela” “é meu buraco que te interessa” surgem sempre nesse discurso, daí muitas vezes fazerem greve sexual. O neurótico homem mestre, na sua obsessão de resolver, tenta satisfazer essa insatisfação.
Na realidade, o que a histérica quer é um mestre que saiba muitas coisas. Mas como diz Lacan: “que não saiba tanto para crer que é ela o prêmio supremo de todo seu saber. Ela quer um amo sobre o qual ela reina: ela reina e ele não governa.”

                                                           Luiz Roberto Duncan 
                                                                  psicanalista


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