14/05/2017 11:39:22 - Atualizado em 14/05/2017 11:41:47


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A Flor da Astronomia...

 

Olá!!! Uma flor... Uma gente sonhadora… Uma longa história... Em um jardim... Uma homenagem... Discreta... Sensível... Um louvor à Ciência e às suas conquistas…

A seguir apresento uma surpreendente história em uma livre narração... No dia 5 de janeiro de 1723 nasceu em Paris Nicole-Reine Etable de Labrière. Em 27 de agosto de 1749 ela se casou com o relojoeiro real Jean-Andre Lepaute. A partir desse dia incluiu o sobrenome de seu marido a seu nome. Nicole-Reine Etable de Labrière Lepaute e seu marido conheceram Jérôme Lalande pouco tempo depois. Lalande era amante da Astronomia e membro da Academia das Ciências da França.

Esse encontro foi providencial. Jean-Andre havia desenvolvido um novo modelo de relógio e Lalande incentivou a Academia a utilizá-lo na Astronomia. É  necessário um relógio preciso para realizar a cronometragem dos fenômenos astronômicos. Em 1755 Jean-Andre publicou um trabalho sobre o que era necessário para a realização de uma boa cronometragem em Astronomia. Nesse trabalho Nicole-Reine Lepaute mostrou pela primeira vez o seu talento com a Matemática. Ela realizou os cálculos relativos a oscilação dos pêndulos dos relógios. 

Naquele período havia uma necessidade de realizar uma previsão mais precisa sobre o retorno do cometa Halley. Em 1758 Lalande ingressou um programa coordenado pelo francês Alexis Claude Clairaut com esse objetivo. Nicole-Reine Lepaute foi convidada a participar desse programa. Eram cálculos extremamente cansativos. Foram seis meses de um estafante trabalho. Em 25 de dezembro de 1758 os resultados foram apresentados e a previsão de que o periélio do cometa Halley iria ocorrer em meados de abril de 1759 se mostrou correta. Nicole-Reine Lepaute depois trabalhou na equipe de elaboração de um Almanaque Astronômico. Junto com outras publicações da época, o Almanaque fornecia os dados para a observação dos astros e dos fenômenos celeste. Um dos fenômenos de destaque na época  era o trânsito de Vênus na frente do Sol previsto para ocorrer em 1761 e em 1769.

O astrônomo francês Guilhaume Le Gentil foi enviado à Índia em 1761 pela Academia de Ciências para observar o trânsito de Vênus. Devido a problemas em sua viagem de navio, ele não conseguiu desembarcar a tempo e teve que observar o fenômeno do navio. O que não permitiu uma observação precisa. Devido a esse contratempo resolveu permanecer na Índia e construir um observatório para a observação do fenômeno em 1769.

No dia no qual ocorreu o trânsito de Vênus em 1769, no local onde havia instalado o observatório, um novo contratempo ocorreu. O tempo não o auxiliou. Estava muito nublado e ele não pode observar o fenômeno. Foi uma grande desilusão para ele. Em 1771 regressou à França no navio Boudeuse em uma expedição coordenada pelo comandante Louis-Antoine Bougainville na qual substituía o astrônomo francês Pierre-Antoine Veron que havia falecido. 

Levou para o navio uma flor ainda não catalogada. O botânico francês Philibert Commerson, influenciado por Guilhaume Le Gentil, chamou a nova planta de “LePautia” (“'Pautia caelestina”) em homenagem a Nicole-Reine Lepaute. Mais tarde o botânico francês Antoine Laurent de Jussieu mudou o nome da flor para Hortênsia. Há várias hipóteses para essa mudança. Os amantes da Astronomia relatam que foram encontrados registros que comprovam que Nicole-Reine Lepaute também era chamada pelos familiares e amigos íntimos de Hortense.

Independente da veracidade dessa informação muitos amantes da Astronomia incorporaram um novo sobrenome ao nome da famosa astrônoma.  Nicole-Reine Etable de Labrière Hortense Lepaute...

Uma justa homenagem... Hortênsia... A flor da Astronomia... Um astro presente nos jardins... Refletindo a beleza de uma noite estrelada... Florindo o firmamento com as almas das gentes sonhadoras... Mensagem para a Primavera...
Parabéns para todas as Mães!!!
Céu limpo para todos

Marcelo de Oliveira Souza-