22/12/2017 10:10:45 - Atualizado em 22/12/2017 10:13:02


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Reflexões sobre a prevenção com vacinas

  Ururau

No artigo anterior conversamos sobre a organização do sistema de saúde em todas as suas esferas de cuidados com a população. Neste sentido pudemos separar as politicas de prevenção, promoção e recuperação da saúde. Destas a mais importante é, sem quaisquer dúvidas, as práticas de prevenção, ou seja, não termos uma doença pois nós nos prevenimos dela.

Estudos de 20 anos atrás atestavam que a cada 1 real gasto em prevenção, economizam-se 4 em tratamento. Dentro das politicas preventivas a maior e mais eficiente estratégia é a vacinação. Em uma só agulhada podemos nos prevenir de gripe, tuberculose, sarampo, meningites, entre tantas outras.... Mas de onde vem o termo vacinação? Tudo se inicia há 200 anos atrás, quando uma bem sucedida experiência de Eduard Jenner, medico inglês que fez um teste com tipos menos agressivos do vírus da varíola de vacas e passou a inocular nas crianças para a proteção contra esta doença.

A iniciativa bem-sucedida levou à criação oficial da primeira vacina, termo obtido do termo latino vacca.

A partir daí, as vacinas mudaram o curso da história, de forma que epidemias e surtos puderam ser debelados com apenas uma agulhada ou uma gota de vacina, como por exemplo a varíola, doença erradicada do mundo; a Poliomielite, doença erradicada do Brasil, desde 1989, e desde 1994 nas Américas; o Sarampo autóctone, desde 2002.

Ora, é essencial entendermos que algumas doenças infecciosas desafiam a natureza avassaladora das vacinas, mesmo as mais modernas..... Exemplo clássico é o vírus da gripe e seus componentes que geram mutações todos os anos, desafiando o sistema de defesa e exigindo uma nova vacina com novos componentes todos os anos, e quando a mutação viral corre o risco de passar uma temporada junto a um animal... ocorre o mesmo que em 2009, com a temida gripe Suína, ou H1N1, surgida através de fusão entre partes do vírus da gripe humano em associação com anticorpos de porcos em uma criação de suínos no México. Desde lá, o vírus continua a fazer vítimas fatais, alguns anos mais (2016), outros menos (2017).

Um outro detalhe importante a ser analisado, trata-se do cada vez mais numeroso cardápio de vacinas no mundo. A tecnologia a serviço da criação das vacinas parece não ter limites. Como exemplos, temos as vacinas conjugadas, tais como as Vacinas pneumocócicas 10 e 13 valentes (prevenar®); vacina meningocócicas C e ACYW. Estas vacinas são um diferencial no estudo das vacinas, e surgiram na década de 90.

Outro exemplo é a nova vacina Meningocócica 4MenB, ou meningocócica B. Anos depois, tem-se uma vacina segura, robusta e protetora. Não podemos esquecer da vacina contra a dengue,  um desafio em saúde pública, lançada em 2016 e que ainda desafia os estudiosos, mas será tema de um próximo artigo. 

Entretanto, nem todas as vacinas disponíveis no mercado atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS), muito embora este possua um dos calendários vacinais mais completos do mundo. Deve-se atentar para o fato de que a decisão do Ministério da Saúde de implantar uma nova vacina deva atender aos requisitos de custo, amplitude de atendimento do programa e essencialmente à razão de ser da Saúde Coletiva, que é o “Mínimo possível para o máximo de pessoas”. Assim, escolher novas vacinas para serem distribuídas gratuitamente é uma decisão que leva em consideração a realidade daquela doença no país, e se a vacina está segura para ser usada, entre tantas coisas. 

Assim, temos os calendários da criança, com vacinas desde a maternidade tais como a BCG (protege contra as formas graves da tuberculose), Hepatite B, seguindo no primeiro ano de vida com proteção contra pneumonias, difteria, tétano, Rotavírus (um dos maiores causadores de diarreia com mortes no mundo), coqueluche (doença que tem retornado em altos índices), entre outros; Para o calendário da adolescência não podemos esquecer da vacina contra o Papilomavirus Humano (HPV), que causa câncer de colo de útero e verrugas genitais. Por fim o calendário da mulher gestante com vacinas especificas e o calendário do idoso, pois a “melhor idade” leva a queda de anticorpos protetores e aí mesmo as vacinas são mais importantes. Assim, fica no ar a pergunta: seu cartão de vacina está em dia? 

De forma complementar ao calendário do Ministério da Saúde tem-se o calendário da Associação Brasileira de Imunizações (SBIM), que fornece um calendário complementar que adiciona mais proteção a todos. Um exemplo, trata- -se da vacinação contra o meningococo, que causa as meningites. O Ministério da Saúde fornece a vacina meningite C, que fornece proteção para 70-80% dos meningococos do Brasil. Os restantes são meningococos B, Y, W entre outros. Assim, recomenda-se as outras vacinas de forma adicional ao Programa Nacional de Imunizações como posologia complementar em clínicas de vacinação.

O gesto de vacinar é antes de tudo um ato de amor, apesar de doloroso algumas vezes. Por isso que, apesar de toda a engenharia complexa por trás dos processos de construção das vacinas, ainda são feitas da mesma forma que Dr. Eduard Jenner fazia no século XVIII, ou seja, com agulhas.

Bem recentemente, que novas abordagens estão sendo testadas e a mais promissora são os “nano patches”, mini dispositivos semelhantes a emplastos que contêm mais de 100 microagulhas com a vacina e são colocados na pele do indivíduo, sem doer. Espera-se que em breve todas as vacinas sejam assim, o que tornará o ato de vacinar não apenas protetor, mas também mais prazeroso.


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  • 29/11/2017 »