17/07/2017 08:46:56 - Atualizado em 17/07/2017 08:47:39


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Saco Sem Fundo

 

Já dizia o antigo ditado português “Em casa onde falta o pão, todos brigam, ninguém tem razão”. No Brasil, no que toca a coisa pública, habituamo-nos à prática de criar as despesas, criar benesses, sem nos preocuparmos com a origem, ou mesmo a existência, de fundos que possam vir a financiar os orçamentos que são, por aqui, mais peça de ficção que instrumento de gestão.

Muitas são as considerações dos gestores na elaboração da peça, quase teatral, do orçamento público em todas as esferas de governo, poucas motivadas por interesses nobres, mesmo que em sua defesa surjam as mais puras intenções. Grupos de interesse, minorias ruidosas, currais eleitorais específicos deste ou daquele coronel, sim ainda os há, ditam as rubricas que serão ou não atendidas, as prioridades são sempre desses interessados e não do bem comum tão invocado nos discursos.

Quando se trata de discutir a saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS), a tônica dos discursos sempre é da falta de dinheiro. Em orçamentos sem limites bastava que se lançassem na pasta mais e mais recursos, ainda que não fosse exequível. Mas, e agora, quando enfrentamos sérias restrições orçamentárias e se mostram impreteríveis os cortes? Onde a mão dos gestores será mais pesada?

Sustentar o modelo claramente adotado, centrado na assistência curativa, hospitalar e de atenção especializada, contrário às determinações e princípios do SUS, é impossível. Custos cada vez mais altos, de uma assistência à saúde cada vez mais sofisticada e cara, sem tornam impossíveis de cobrir em um orçamento restritivo e que se pretenda minimamente sério.

Entretanto, negligenciar a atenção básica, como sempre se fez, para atender aos grupos que se beneficiam do modelo de atenção hospitalar, tem consequências graves. Hoje vivemos realidade estranha, temos uma saúde de custo elevadíssimo e um povo sem melhorias nos indicadores que nos permitiriam dizer que é mais saudável que antes. 

A falta de critério nos investimentos, ou o imperativo de critérios nefastos, perpetua condições que levam ao surgimento ou agravamento de doenças que estão na raiz da sobrelotação dos serviços de “atenção à doença”, hospitais e postos de urgência. Precisamos que o bem comum norteie a caneta de nossos gestores, executivo e legislativo, quando da elaboração dos orçamentos para que o poder público se torne de fato inclusivo e provedor de melhores condições de vida.

Não dá para admitir que as prioridades sejam invertidas para que grupos que tomaram de assalto a res pública não tenham seus interesses contrariados.

 


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