13/09/2017 10:39:08 - Atualizado  em 13/09/2017 17:00:22

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Garotinho preso no Rio de Janeiro pela Polícia Federal

  Ururau / O Globo

Garotinho vem para Campos ainda hoje

O ex-governador Anthony Garotinho foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (13/09) em uma emissora de rádio no Rio de Janeiro, onde apresenta um programa. A Justiça condenou Garotinho por compra de votos e determinou que ele cumpra prisão domiciliar em Campos. O ex-secretário de Governo de Campos era réu em decorrência da Operação "Chequinho", que investigava fraude nas eleições municipais no ano passado com uso do programa assistencial Cheque Cidadão.

Garotinho chegou a Campos no início da tarde e foi levado pelos agentes da PF até o Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. Em seguida, foi encaminhado para a casa dele, na Rua Saturnino Braga, Lapa.

Segundo o delegado da PF de Campos, Gabriel Duarte, agentes federais foram até a capital em cumprimento de mandado de prisão expedido pela 100ª Zona Eleitoral (ZE) de Campos. De acordo com o delegado, o total da pena foi de 9 anos, 11 meses e 10 dias, além de multa de 225 salários mínimos. Na decisçao do juiz da 100ª Zona Eleitoral (ZE), Ralph Manhães, a pena foi revertida em prisão domiciliar, que deverá ser cumprida na residência dele em Campos.

A decisão estabelece, ainda, o uso de tornozeleira eletrônica, proíbe a utilização de telefones celulares e restringe o contato pessoal a advogados e familiares próximos — mãe, netos, filhos e a mulher, a ex-governadora do Rio e ex-prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PR). De acordo com o delegado, o cumprimento de prisão domiciliar será fiscalizado pelos agentes da PF de forma permanente.

Duarte esclareceu que Garotinho chagará ainda hoje a Campos. "Ele foi preso por volta das 10h30 na Rádio Tupi, que era um endereço lançado no mandado de prisão, foi levado para a Superintendência da PF no Rio para depois vir pra Campos", comentou o delegado.

O delegado da PF Paulo Cassiano Junior informou que a condenação contra Garotinho finaliza o processo em primeiro grau, cabendo recursos em segunda e terceira instâncias no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente. "A 'Chequinho' não se encerra com esta sentença, pois tem mais envolvidos investigados".

CRIMES IMPUTADOS

Além da medida cautelar, Garotinho foi condenado à prisão em regime fechado por corrupção eleitoral, associação criminosa e supressão de documentos públicos. No entanto, esta condenação precisa ser confirmada em segunda instância para que a reclusão passe a vigorar.

Segundo a sentença, assinada pelo juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral, a prefeitura de Campos, então comandada por Rosinha — Garotinho era o secretário de Governo —, desembolsou R$ 11 milhões entre junho e agosto do ano passado num esquema paralelo do programa Cheque Cidadão.

O processo traz notas fiscais registrando as transações. Os cartões eletrônicos, cada um com R$ 200, foram distribuídos por candidatos a vereadores aliados do casal a potenciais eleitores.

O objetivo era montar uma base de sustentação na Câmara Municipal para o candidato governista à prefeitura, Dr. Chicão (PR), que acabou derrotado. Ao todo, 17.500 pessoas fizeram parte do cadastro irregular.

Atualizado às 12h50 - Nota do advogado Carlos Azeredo: A defesa do ex-governador Anthony Garotinho repudia os motivos apresentados para a prisão do ex-governador e entende que a decisão de mantê-lo preso em casa, em Campos, tem a intenção de privá-lo de seu trabalho na Rádio Tupi e em seus canais digitais e, com isso, evitar que ele continue denunciando políticos criminosos importantes, alguns deles que já foram até presos. A defesa nega as acusações imputadas a ele e informa que ele nunca nem foi acusado de roubo ou corrupção. O processo fala de suspeitas infundadas de compra de votos, o que por si só não justifica prisão.

A defesa afirma que a prisão domiciliar, além de não ter base legal, causa danos à sua família já que o impede de exercer sua profissão de radialista e sustentar sua família. A defesa do ex-governador irá recorrer da decisão.

Atualizado às 14h30 - Em entrevista à imprensa na porta do IML, a ex-prefeita de Campos Rosinha Garotinho disse que estranha a prisão do esposo um dia depois de uma audiência de reconciliação com o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Luiz Zveiter. "O meu marido vem denunciando pessoas que estão presas por roubo. Ele está preso por uma suposta compra de voto, dando comida para pobres. E muito me estranha a prisão do Garotinho um dia depois de uma audiência no Fórum do Rio de Janeiro com o ex-presidente do TJ-RJ, que queria uma reconciliação para que o meu marido retirasse todas as acusações feitas contra Zveiter no blog e Garotinho no aceitou e afirmou que vai provar todas elas. Muita me estranha a prisão de hoje, da mesma forma que fizeram da outra vez quando foram prender Sérgio Cabral para dividir mídia. E ainda que tivesse compra de votos, não cabe prisão. Os nossos advogados estarão recorrendo”.

 


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