23/06/2016 17:03:55 - Postado  em 23/06/2016 18:43:46

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Servidores protestam e protocolam pedido de impeachment na Alerj

  Ururau

Entre os manifestantes estavam professores das universidades estaduais, do Corpo de Bombeiros e do Poder Judiciário

Um grupo de servidores estaduais de diversas categorias, organizados no Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe), realizou um protesto na tarde desta quinta-feira (23/06), na Praça do Santíssimo Salvador, no Centro de Campos. A ação do Muspe, que aconteceu simultaneamente na capital do Estado, onde foi protocolado o pedido de impeachment na Assembleia Legislativa (Alerj), seguiu com uma passeata pela área central, até a Rodoviária Roberto Silveira. 

Entre os manifestantes estavam professores das universidades estaduais, do Corpo de Bombeiros Militar e do Poder Judiciário. Eles utilizaram cartazes, faixas e um microfone, onde representantes das várias categorias do funcionalismo público reclamaram das medidas do Governo Estadual, como o parcelamento dos salários dos servidores e o decreto de estado de calamidade pública assinado pelo governador interino Francisco Dornelles.

O professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), falou do estado atual da universidade e da falta de investimentos na educação.

"Recebi a informação de que as reitorias das três universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uenf, Uerj e Uezo) receberam uma correspondência determinando que sejam estabelecidas medidas que garantam o corte de 30% do orçamento de 2016, sendo que até hoje o governo não desembolsou recursos relativos a 2016, implicando numa não entrega de 50% do orçamento. Se forem cortados adicionais 30%, estaremos falando numa entrega de apenas 35% do orçamento total aprovado pela Alerj para as universidades estaduais usarem durante todo o ano", explicou.

Muito foi falado da isenção fiscal dada pelo governo a grandes empresas, ao mesmo tempo que alega não ter verba para o pagamento do funcionalismo, colocando sempre a culpa na crise econômica.

"O governo culpa apenas o preço do petróleo pela atual situação do Rio de Janeiro, mas isso não é verdade. O preço do petróleo foi aumentando aos poucos, e o Estado só vem piorando. Essa crise não é econômica, é política, nossa manifestação é fruto da falta de capacidade política que esse governo tem", disse o servidor Paulo César, membro da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf).

Antes que o evento na praça terminasse e a passeata até a rodoviária começasse, um estudante da rede pública pediu o microfone para cantar um rap de sua autoria. O jovem de 18 anos contou que estava passando pela praça quando viu a manifestação e resolveu pedir pra cantar. A música de Paulo Vitor, sobre o atual momento político e econômico do Estado e do país, foi aplaudida pelos servidores. 

"Ao escutar as reclamações dos servidores aqui na praça, lembrei de uma música que fiz há algum tempo e que fala muito dos assuntos tratados nesta manifestação", contou.

PEDIDO DE IMPEACHMENT PROTOCOLADO NA ALERJ 
Os servidores estaduais protocolaram um pedido de impeachment contra o governador em exercício, Francisco Dornelles, na tarde desta quinta-feira (23/06), por crime de responsabilidade por não destinar investimentos necessários para a educação e a saúde. O documento foi entregue pelos profissionais e integrantes do Muspe ao departamento de protocolos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

De acordo com um dos representantes do Muspe, Alzimar Andrade, o decreto de estado de calamidade pública, que foi publicado no Diário Oficial na última sexta-feira, é inconstitucional e prejudica a população. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário (SindJustiça) afirmou ainda que os R$ 2,9 bilhões que o Estado recebeu do Governo Federal irão apenas para as Olimpíadas.

"Ele tem repassado menos verba para saúde e educação do que a Constituição prevê. A gente exige que ele gaste essa verba do governo federal para os servidores, na saúde, segurança e educação. O estado tem inflado os cargos comissionados, sem concurso", explicou Alzimar.

PROTESTO EM FRENTE A CASA DE DORNELLES
Endereço da residência do governador em exercício, a Rua Itaipava, no Jardim Botânico, Zona Sul, foi renomeada, nesta quinta-feira. Em ato encabeçado por cerca de 40 professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a via recebeu a seguinte denominação: "Rua do Calote". O termo faz referência aos atrasos no pagamento de salários e também de repasses para a instituição. Devido à greve dos docentes, alunos da Uerj ainda não tiveram uma sequer aula neste ano.

Durante o protesto, até uma placa com o rosto do governador foi afixada em um poste que fica em frente ao prédio de número 18, com o objetivo de alertar aos moradores da região sobre a "mudança" no nome da via. O ato desta quinta-feira foi organizado pela Associação de Docentes da Uerj (Asduerj), com a intenção de surpreender o governador.

"Chegamos por volta das 6h30 e ficamos esperando o Dornelles aparecer para tomar um café com ele, mas o governador passou direto e não nos recebeu. Ele deu apenas um 'tchauzinho' de dentro do seu carro e foi embora com o Ademário (seu motorista)", reclamou o diretor da Asduerj, Paulo Alentejano. Ontem, a frase 'Vamos embora, Ademário' viralizou nas redes sociais. Isto porque, ao ser questionado por repórteres sobre o destino dos R$ 3 bilhões doados pelo governo federal, o governador não soube dar uma resposta, pedindo ao seu motorista que deixasse o local. "Estamos lutando pelo pagamento de nossos salários. Neste mês, só recebemos a metade. Dornelles prioriza as Olimpíadas e se esquece da educação", criticou Paulo Alentejano.


Fonte Ururau/ Jornal O Dia